
Há poucas semanas o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, sugeriu acabarmos com as garupas de moto através da alteração do Código de Trânsito. Como a maioria dos assaltos nas estradas são feitos por duplas de comparsas motorizados, sendo o garupa o infrator armado enquanto o piloto se responsabiliza pela fuga, nada mais natural que eliminar o perigo pela mudança desta lei de trânsito. Mas o que parece uma idéia razoável é na verdade um afronte à liberdade dos cidadãos.
Não podemos cercear a liberdade de ir e vir do cidadão de bem por causa da incompetência das autoridades em frear a violência urbana. Que mania mais besta esta dos governantes brasileiros de repassar à sociedade as incumbências e responsabilidades deles! Quantas pessoas de bem dependem de sua garupa para trabalhar ou transportar familiares e amigos? E se seguirmos esta linha de raciocínio deturpada, qual o próximo passo? Averiguar quais horários são mais suscetíveis à assaltos e proibir os cidadãos de transitarem pelas ruas nestes horários? Descobrir que carros são mais comumente roubados e proibir a venda destes? Fechar algumas avenidas principais só porque são mais frequentemente afetadas pela violência?
Este não é o caminho certo. Temos que lutar para que o Estado cumpra seu dever básico de oferecer segurança aos cidadãos sem que estes percam seus direitos mais básicos como o de ir e vir.

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