Tuesday, July 31, 2007

O LABIRINTO DE FAUNO


Simplesmente um dos melhores filmes que vi ultimamente. A trama desenvolvida pelo cineasta Guillermo Del Toro é espetacular e corrobora totalmente com minha visão sobre fé e religião. O conteúdo antropológico do longa-metragem é abundante apesar de sutil, e riquíssimo além de suas fantasias bem elaboradas e efeitos especiais maravilhosamente colocados.

A vida da pequena protagonista Ofelia é complicada. Numa Espanha violenta e tumultuada baixo os punhos de ferro do ditador Franco, ela perdeu o pai ainda cedo e seu padastro é um general impiedoso e sanguinário das forças armadas. Sua mãe casa-se por necessidade com esse terrível general, e sua saúde é fatalmente debilitada devido à uma gravidez complicadíssima. Com uma vida atribulada e sem tantas perspectivas, a pequena Ofelia cria seu próprio mundo, vestindo a realidade dura e fria com imaginações férteis, personagens fantásticos e desafios fictícios. Sua história inventada a ajuda a absorver mais facilmente os imbróglios da vida.

A história que Ofelia cria é exatamente o que as religiões ensinam. Ela é escolhida entre várias para passar em testes universais e está em suas mãos o destino do seu irmãozinho ainda por nascer. Ninguém entende seu mundo, duvidando de suas afirmações mágicas. No final, na hora de sua morte, a menina se entrega à sua ilusão. Já inconsciente, após levar um tiro de seu padrasto macabro, no estado entre a vida e a morte, ela finalmente vê o que sempre quis. Seu verdadeiro pai sentado ao lado de sua recém falecida mãe, ambos nas alturas em tronos faraônicos. O Fauno aparece para coroar-lhe princesa e dar-lhe as boas vindas ao paraíso tanto esperado. Sua atitude altruísta era o último teste que precisava passar para merecer o retorno ao mundo encantado.

Isso não soa como as principais religiões? No fundo os fiéis vivem esse mesmo conto fantástico. Se julgam importantes, merecedores de sabedoria que é incompreendida pelo mundo. Para se livrarem das mazelas do mundo real, criam realidades paralelas cheias de fantasias. E para encararem o grande desafio e maior mistério da vida, enxergam a morte como um grande desafio o qual somente eles são merecedores de magnífico tesouro.

Se criar histórias fantásticas ajuda algumas pessoas a viver, tudo bem. Eu prefiro a realidade nua e crua. Doa o que doer.
Filme FANTÁSTICO. Recomendo-o.

Saturday, July 14, 2007

O PAPA 100% CORRETO

Não entendo o mundo se revoltando contra a carta do Papa afirmando que a Igreja Católica é a única 100% correta. Eu, pelo menos, concordo 100% com a postura do Papa, apesar de discordar 100% com a Igreja Católica em si. Acho extremamente coerente um líder religioso levantar a bandeira de sua religião acima das outras. Isso é esperado, correto, e demonstra total fidelidade à sua fé. Esquisito seria se ele afirmasse que qualquer outra igreja cristã está correta, ou pior, que Maomé ou Buda também nos levam ao céus. Isso sim chamaria minha atenção e pediria para alguém interná-lo.

Vamos ser sinceros e deixar a hipocrisia de lado. TODA religião prega que é a mais correta. Para o muçulmano, vamos todos queimar no inferno; para o judeu, os cristãos se iludem com um céu inexistente; e para os evangélicos, os católicos são idólatras que queimarão no quinto dos infernos. Caso não acreditem nisso, então não estão seguindo realmente suas religiões, mas sim uma pseudo-religião derivada da fé-mãe e adaptada pela personalidade do seguidor. E não é isso que as grandes crenças monoteístas pregam. Afinal, um muçulmano, um judeu, e um cristão não podem estar todos corretos ao mesmo tempo, já que o que um prega exclui automaticamente a crença do outro.

Acho que esse episódio é um sintoma do que está acontecendo com a percepção da religião na nossa era. No fundo, estamos questionando se realmente estas religiões tão intocáveis não estão simplesmente erradas. Estamos notando que a base de suas crenças e os fundamentos de seus ensinamentos, são primitivos, intolerantes, ultrapassados, e regressistas. Será que não é hora de nos perguntarmos se tudo aquilo que acreditamos não é pura ilusão? Que nenhuma religião oferece respostas satisfatórias? Que tudo que os altos clérigos ensinam não tem absolutamente base alguma? Será que não é hora de realizarmos que ninguém sabe de absolutamente nada? Que todos que já passaram por esse planeta são igualmente ignorantes sobre os mistérios da vida? Que não há Jesus, Buda, Moisés, Maomé, Chico Xavier, Joana D'arc ou Tim Tones que seja um milímetro mais esclarecido que qualquer pessoa de bom senso e com razoável conhecimento no século XXI.

Vou adaptar a postura do Papa, que concordo 100%, para meus próprios fins e afirmar:
Estamos todos, sem exceção, 100% errados.